O mercado imobiliário, em especial o  residencial, costuma ser um dos últimos a sair de uma recessão. Isso se deve em grande parte à natureza de seu produto, um investimento fixo de valor relativamente elevado, que muito depende da recuperação do emprego. Outros determinantes da restauração do ritmo de crescimento do setor são a confiança, taxa de juros mais baixas e especialmente a oferta de crédito.

Pois bem, todos esses determinantes começaram a entrar em cena. A queda maior do que a esperada na inflação criou as condições para um vigoroso ciclo de política monetária, o qual, associado à restauração da credibilidade do Banco Central, permitiu que a taxa Selic caísse de 14,25% em 2016 para 7,5% neste momento. Tudo indica que o ano terminará em 7% e provavelmente em 6,75% a partir de fevereiro de 2018. A oferta de crédito dá os primeiros sinais de revigoramento.

A queda nos distratos é outro fator que estimula a retomada. Por tudo isso, as vendas de imóveis começam a esboçar uma melhora. Os novos lançamentos e as vendas de imóveis novos voltaram a acontecer em ritmo mais animador. No acumulado do ano até junho, os lançamentos cresceram 8,7%, em comparação com o mesmo período de 2016.

Ainda não é a recuperação dos sonhos do setor, pois ainda será preciso absorver os estoques acumulados durante a crise. No segmento residencial, dados de junho indicam que eram necessários 18,6 meses para zerar os estoques (19,1 meses em 2016). A média histórica é de 11,8 meses. A tendência é de continuada melhora desse indicador.